O Palmeiras está na semifinal da Libertadores pela 13ª vez em sua história. Mas, mais uma vez, precisou sofrer até o último minuto em uma partida que parecia controlada.
Análise do jogo
A escalação do Palmeiras veio um pouco alterada, com Lucas Evangelista no meio-campo e Vitor Roque no banco, substituição que até agora não entendo, além de Fuchs no lugar de Gómez, suspenso.
A tática seguiu o padrão que já vimos em muitos jogos do Palmeiras de Abel Ferreira. O time deixou a posse de bola, aceitou jogar no campo de defesa e apostou em aproveitar as oportunidades que aparecem.
A estratégia não é novidade. O problema é que, na altitude, você deixa seu adversário confortável com a bola, entrega muito rápido a posse e corre riscos contra um time 100% acostumado às variações da altitude.
O jogo
Marlon Freitas abriu o placar em um escanteio que acaba sobrando depois de ele próprio cabecear errado. Cinco minutos depois, a LDU empata o jogo com um jogador livre de marcação em um escanteio.
Mesmo com a posse de bola, a LDU pouco ameaçava o Palmeiras e, na segunda etapa, voltamos com Vitor Roque no ataque, no lugar de Flaco. Substituição bem feita, já que Roque segurava mais o jogo, além de ameaçar mais a LDU.
Com 20 minutos do segundo tempo, Abel é expulso por uma reclamação válida, mas feita de maneira idiota, após o lance de empurrão em Andreas Pereira.
Depois, aos 25 minutos do segundo tempo, o Palmeiras teve o pênalti a seu favor. O jogador da LDU bloqueou o cruzamento de propósito com o braço, que não estava em posição de apoio. Pênalti claro, corretamente marcado e muito bem aproveitado por Vitor Roque, que bateu com confiança.
O jogo se encaminhava para o fim, a pressão da LDU aumentava e o time estava sem seu capitão e seu treinador para organizar a equipe.
O desastre
Se existe um jogador que fez falta naquela defesa, foi Gustavo Gómez.
Sem o capitão, o Palmeiras perdeu muito da sua segurança defensiva, principalmente em um jogo em que a LDU apostava tanto nas bolas aéreas e nos cruzamentos.
Fuchs, ainda sem ritmo de jogo, sofreu bastante para acompanhar a velocidade das jogadas na altitude. Além disso, houve relaxos na marcação de Piquerez em momentos que não poderiam acontecer.
O resultado foi absurdo: dois gols praticamente idênticos em menos de três minutos.
O Palmeiras tinha o jogo na mão. De repente, a LDU encontrou dois espaços pelo mesmo caminho e conseguiu levar a partida para os pênaltis.
O herói da partida
O Palmeiras carrega um certo fantasma nas cobranças de pênaltis na era Abel Ferreira. Em momentos decisivos, nunca foi o ponto forte do time.
Dessa vez, porém, o Palmeiras tinha uma carta na manga. Carlos Miguel, com seus 2,04 m e a fama de ser um goleiro que pega pênaltis, precisava se provar justamente em um grande jogo de Libertadores.
Vitor Roque, mesmo já tendo batido durante o jogo, abre as cobranças com uma cavadinha nojenta, provando de vez que a pressão foi embora e passando, de certa forma, uma calma para o time.
No segundo pênalti da LDU, Carlos Miguel prova que pode ser um grande goleiro. Mesmo com falhas e críticas da torcida desde que chegou ao clube, colocou o Palmeiras à frente na disputa.
E, quando chegou a última cobrança, lá estava ele novamente.
Carlos Miguel defendeu, garantiu a classificação e terminou a noite como o grande herói da partida.
Encerramento
Ontem não teve futebol bonito. Não teve torcedor contra ou a favor de Abel. Ontem teve uma sociedade comemorando mais uma classificação histórica, provando que, mesmo no ardor da partida, transforma a lealdade em padrão, sabe sempre levar de vencida e mostrar que, de fato, é campeão!
Palmeiras enfrenta o Fluminense na semifinal da Libertadores. O primeiro jogo será no Maracanã, com a partida prevista para a semana de 14 de outubro.






