Boca Juniors 1 x 0 São Paulo. Esse foi o resultado do primeiro confronto das quartas de final da Copa Sul-Americana de 2026, disputado na noite de 8 de setembro, na Bombonera.
Como são-paulino, saio desse jogo com aquela mistura incômoda de frustração e esperança. Frustração porque o São Paulo teve momentos para sair de Buenos Aires com um resultado muito melhor. Esperança porque, apesar da derrota, o confronto está completamente aberto.
O Tricolor perdeu por 1 a 0, gol de Miguel Merentiel no início do segundo tempo, e agora precisa vencer no MorumBIS para continuar vivo na competição. A situação ficou mais complicada pela suspensão de Calleri, que recebeu cartão amarelo durante a partida e não poderá atuar no jogo de volta.
Mas, olhando para o que aconteceu dentro de campo, minha sensação é clara: o São Paulo deixou escapar uma oportunidade na Bombonera.
O que aconteceu na Bombonera
O primeiro tempo foi bastante equilibrado. O Boca teve a força de jogar em casa, diante de sua torcida, mas não conseguiu transformar esse ambiente em uma superioridade tão grande quanto eu esperava. O São Paulo, por outro lado, conseguiu competir.
A melhor chance tricolor da primeira etapa veio aos 16 minutos. Iago fez um cruzamento preciso e Luciano apareceu para cabecear, obrigando o goleiro Álvaro Montero a fazer uma grande defesa.
Depois, aos 30 minutos, Luciano encontrou Iago pelo lado esquerdo. O lateral cruzou rasteiro e Calleri teve uma boa oportunidade, mas finalizou para fora.
E é justamente aí que começa minha principal crítica ao São Paulo nessa partida. Em um jogo desse tamanho, você precisa aproveitar as poucas oportunidades que aparecem. A Bombonera não costuma oferecer muitas chances para o visitante. Quando elas aparecem, não dá para desperdiçar.
Competitivo, mas sem agressividade
Eu não acho que o São Paulo tenha feito uma partida desastrosa. Muito pelo contrário.
O sistema com três zagueiros conseguiu, durante boa parte do jogo, limitar as principais armas do Boca. Arboleda, Domingos Duarte e Sabino tiveram bastante trabalho, mas o time argentino também encontrou dificuldades para criar.
O problema apareceu principalmente quando o São Paulo precisava transformar recuperação de bola em ataque. A equipe chegava até determinado ponto do campo e, muitas vezes, faltava a última ação: o passe vertical, o drible, o cruzamento mais perigoso ou simplesmente uma finalização melhor.
Para mim, esse foi o grande pecado do Tricolor.
Não faltou apenas volume. Faltou transformar os bons momentos em perigo real.
O gol que mudou o jogo
O gol de Merentiel saiu aos seis minutos do segundo tempo. Blanco apareceu pelo lado esquerdo, colocou a bola na área e Merentiel finalizou. Rafael conseguiu defender a primeira tentativa, mas o atacante uruguaio aproveitou o rebote e mandou para o gol.
E aqui eu acho que existe uma diferença importante entre perder e ser dominado. O São Paulo não foi atropelado. O gol nasceu de uma jogada em que o Boca conseguiu encontrar espaço e aproveitar uma segunda bola. Rafael ainda fez a defesa inicial, mas a sobra ficou limpa para Merentiel.
Depois disso, o São Paulo até tentou reagir. Artur cruzou na segunda trave, Sabino ganhou pelo alto e Domingos Duarte apareceu para finalizar, mas Montero defendeu. Mais tarde, Iago também cruzou para Gustavo Santana, que cabeceou para fora.
O problema é que eu senti que o Tricolor não conseguiu aumentar a pressão de maneira consistente. E, quando você está perdendo por 1 a 0 fora de casa em um mata-mata, precisa encontrar uma forma de transformar o jogo em uma pressão constante. O São Paulo não conseguiu.
Calleri fora do jogo de volta: o pior cenário
Se a derrota por 1 a 0 já era ruim, perder Calleri para a partida de volta deixou tudo ainda mais complicado. O argentino recebeu cartão amarelo depois de uma discussão com Belmonte, ficando suspenso para o segundo jogo.
E, para mim, essa é uma perda enorme. Não apenas pelo que Calleri entrega tecnicamente, mas porque estamos falando do capitão do São Paulo em um confronto contra o Boca Juniors.
Existe também todo o componente emocional. Calleri estava fazendo seu primeiro jogo na Bombonera desde que deixou o Boca rumo ao São Paulo, onze anos atrás. O reencontro tinha todos os ingredientes para ser uma das histórias da partida. No fim, acabou sendo uma das mais frustrantes para o torcedor tricolor: ele saiu substituído e recebeu vaias da torcida argentina.
Agora, no MorumBIS, o São Paulo terá que encontrar outra solução para o ataque.
Um confronto com história pesada
Talvez seja justamente isso que torne esse duelo tão interessante. Apesar de Boca Juniors e São Paulo serem dois dos clubes mais tradicionais da América do Sul, eles nunca se enfrentaram na Copa Libertadores.
Antes desse confronto de 2026, os dois clubes haviam disputado 12 partidas oficiais em competições organizadas pela CONMEBOL. O retrospecto era de cinco vitórias do Boca, quatro do São Paulo e três empates. Já tivemos confrontos pela Copa de Ouro, Supercopa, Copa Mercosul, Recopa e pela própria Copa Sul-Americana.
E existe uma curiosidade que, como são-paulino, considero impossível ignorar: o último confronto entre os dois clubes havia acontecido em 2007. Naquele ano, o Boca venceu por 2 a 1 na Argentina, mas o São Paulo ganhou por 1 a 0 no Morumbi e ficou com a classificação.
Agora, 19 anos depois, a história volta a se repetir em um mata-mata de Sul-Americana. E novamente a decisão será em São Paulo.
O contexto da temporada aumenta a pressão
Também não dá para analisar esse jogo isoladamente. Os dois clubes chegaram às quartas de final da Sul-Americana porque suas temporadas não seguiram exatamente o roteiro esperado.
O Boca foi eliminado na fase de grupos da Libertadores e acabou migrando para a Sul-Americana. O São Paulo, por sua vez, também está disputando uma temporada abaixo das expectativas iniciais e transformou a competição continental em uma das principais possibilidades de conquistar um título em 2026.
Por isso, esse confronto tem um peso muito maior do que simplesmente uma vaga na semifinal. Para mim, a Sul-Americana virou uma oportunidade de dar sentido a uma temporada que ainda está longe de ser perfeita. E é justamente por isso que perder por 1 a 0 na Bombonera dói — porque eu olho para esse resultado e penso: poderia ter sido melhor.
Mas 1 a 0 não é o fim do mundo
É aqui que eu tento fugir do imediatismo. Sim, o São Paulo perdeu. Sim, o Boca agora joga pelo empate. Sim, Calleri está suspenso. Mas estamos falando de um gol de diferença — e o segundo jogo será no MorumBIS.
A partida de volta está marcada para terça-feira, 15 de setembro, às 21h30. O São Paulo precisa vencer por dois gols de diferença para avançar diretamente. Se vencer por apenas um gol, a decisão vai para os pênaltis.
Ou seja: o confronto está longe de estar decidido. O próprio histórico recente desse duelo mostra que o São Paulo já conseguiu derrotar o Boca em casa em situação de mata-mata. Agora precisamos repetir a história.
O que eu espero no MorumBIS
Se existe uma coisa que eu não quero ver no jogo de volta é um São Paulo ansioso. Não precisamos fazer o segundo gol aos cinco minutos. Precisamos fazer o Boca sentir que está jogando fora de casa. O MorumBIS precisa ser parte do jogo.
Precisamos pressionar, recuperar a bola mais rápido e, principalmente, ser muito mais agressivos no último terço do campo.
Sem Calleri, Dorival Júnior terá que encontrar uma alternativa para o ataque. Gustavo Santana vinha sendo utilizado como titular antes do retorno de Calleri, enquanto Ferreira também entrou no decorrer da partida na Bombonera. Para mim, independentemente de quem começar, a questão será menos sobre substituir individualmente Calleri e mais sobre mudar a dinâmica ofensiva.
O São Paulo precisa criar mais. Porque se repetir a produção ofensiva da Bombonera, dificilmente conseguirá marcar os dois gols necessários.
Antes do Boca, ainda tem Choque-Rei
E existe outro detalhe importante nesse calendário. Antes de decidir a vaga contra o Boca, o São Paulo terá um clássico contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro, no sábado, dia 12, às 18h30.
É uma situação complicada para Dorival Júnior. De um lado, um clássico importante pelo Brasileirão. Do outro, uma decisão continental três dias depois. A gestão física e mental do elenco será fundamental.
E, sinceramente, eu espero que o São Paulo consiga administrar esse período sem perder o foco principal. Porque a oportunidade contra o Boca está completamente aberta.
Minha análise da partida
Se eu tivesse que resumir o jogo em uma frase, seria: o São Paulo perdeu um jogo que poderia ter empatado — e talvez até vencido.
Não acho que o Boca tenha sido muito superior. O time argentino soube aproveitar melhor o momento decisivo da partida. O São Paulo teve oportunidades, mas não teve eficiência. E esse é o tipo de detalhe que decide mata-mata.
O resultado de 1 a 0 deixa o Boca em vantagem, mas não coloca o argentino como favorito absoluto para a classificação. No MorumBIS, eu espero outro São Paulo: mais agressivo, mais vertical, mais intenso e, principalmente, mais eficiente. Porque se o Tricolor conseguir transformar a pressão da torcida em futebol, um gol de desvantagem é perfeitamente reversível.
Eu saio da Bombonera frustrado, mas não derrotado. O Boca venceu o primeiro capítulo. Agora é hora de escrever o segundo no MorumBIS — e, como são-paulino, eu ainda acredito na classificação.
Ficha técnica
- Competição: Copa Sul-Americana 2026 — quartas de final, jogo de ida
- Data: 8 de setembro de 2026
- Local: La Bombonera, Buenos Aires
- Placar: Boca Juniors 1 x 0 São Paulo
- Gol: Miguel Merentiel, aos 6 minutos do segundo tempo
- Árbitro: Piero Maza (Chile)
- Jogo de volta: São Paulo x Boca Juniors, 15 de setembro, às 21h30, no MorumBIS






