Fernando Diniz não é mais técnico do Corinthians. E você não está surpreso com isso. Aliás, há quanto tempo Fernando Diniz não vem sendo técnico do Corinthians?
Com uma vitória nos últimos dez jogos, os comandados de Diniz provaram que quanto mais treinavam, pior ficava o desempenho coletivo.
Dinizismo?
Bola no pé, medo na cabeça.
Fernando Diniz não aplicou em nada sua tão criticada filosofia de jogo. Em um time com Garro, Carrillo, Bidon, André, Allan e Memphis, parecia loucura não valorizar posse de bola e um time com meio campo presente. Mas foi exatamente o que Diniz fez.
Vamos entender o que o time produziu em campo e porque repetiu o mesmo erro tantas vezes.
O filme que se repetiu
Chapecoense (1x2): Fui um dos mais de 44 mil torcedores corinthianos que presenciaram a covardia do treinador diante do pior e já rebaixado time do campeonato. Gol no primeiro minuto deu a ilusão de que o Corinthians iria se impor diante da frágil equipe de Chapecó, que ao ver um time improdutivo com o placar favorável, fez sua única escolha possível: ter coragem pra jogar. E ganhou.
Estudiantes (0x1): Outro jogo com posse de bola irrelevante, onde a principal jogada é rodar a bola entre laterais, zagueiros e pontas. Vacilo defensivo no gol argentino, muita gente parada vendo a bola que não saiu na linha de fundo virar gol da eliminação. Memphis ainda perdeu pênalti nos acréscimos.
Fluminense (1x3): Garro foi desarmado no meio-campo em dois gols e o Timão ficou exposto atrás, como se já não tivesse entrado em campo derrotado e abatido da dolorosa eliminação de libertadores. Mais um vexame consecutivo em casa!
Internacional (2x1): Sofreu gol aos 40 segundos, bateu três vezes na trave e perdeu o segundo gol numa bola entregue por Garro na saída de jogo, que após o futebol abaixo como meia armador, ganhou a chance de jogar de volante, onde perder a bola seria mais perigoso ainda para nossa defesa.
Os principais problemas táticos
- Escalação não condiz com as características dos jogadores. Tudo que se espera de um técnico de futebol é que aplique um estilo de jogo condizente com o melhor que seus jogadores podem oferecer. No Corinthians, Diniz aplicou a "paralela cheia" para abrir mão do que o Timão tem de melhor: seu meio campo. Se o time tem peças semelhantes a 2024 e 2025, por que não aplicar o que funcionou?
- O time desmonta depois de sofrer ou marcar gols. Nos jogos contra Chapecoense e Fluminense, a queda de rendimento veio logo depois de sofrer gol. Isso fala de organização tática e de cabeça. Situação curiosa tendo em vista o sucesso que Diniz possui com ambiente de jogadores e sua formação como psicólogo.
- Posse sem profundidade. Em qualquer partida de futebol, se tem o momento de maior dedicação defensiva ou ofensiva. No Corinthians, sua dedicação ofensiva se tratava de postar a equipe em "U", com jogadas repetidas de ponta-lateral-zagueiros-lateral-ponta. Sem construir jogadas com triangulações ou algo que não fosse chuveirinho, que pra piorar, dependia de Pedro Raul cabecear com precisão.
- Exigência não condizente com o desempenho. Quando Diniz chegou, sempre se mostrou insatisfeito com a maneira da equipe jogar, com pontuações importantes a fazer mesmo em jogos que vencemos com autoridade. Com o passar dos jogos, Diniz justificava as derrotas com "resultados não refletem o trabalho". Os números contam outra história.
O modelo do medo
É aqui que entra a ideia de um técnico "covarde". Diniz veio para seu provável último voto de confiança à frente de uma equipe de alto escalão do Brasil. Fracassos em São Paulo, Vasco, Cruzeiro e Santos eram uma sombra que trazia alertas quanto ao seu estilo de jogar bola, que tinha coragem, até demais, culminando em perdas de posse perigosas, finalizações ineficientes e posse de bola inútil.
Acontece que nada disso ocorreu no Corinthians. Você não demora pra entender que Diniz é uma pessoa inteligente, que sabe o que faz ou deixa de fazer, e tenho a ideia de que seu medo de cometer os mesmos erros o impediu de trabalhar. E combina com o que os jogos mostraram: Garro seguiu titular mesmo depois de entregar bola em gol atrás de gol, com desempenhos muito abaixo de seu nível.
A insistência em Memphis Depay como camisa 9, tendo este passado em branco balançando as redes sob o comando do treinador.
Desespero nos minutos finais fazia o técnico abdicar de qualquer estilo para pôr 2, 3 atacantes nas substituições.
E há o bastidor.
Depois do 3 a 1 para o Fluminense, as lideranças da equipe foram até Marcelo Paz defender a permanência de Diniz.
Como um trabalho tão ruim pode ser tão respaldado internamente?
E o extracampo, pesa?
Com certeza. A demissão, segundo fontes, deve custar cerca de R$ 5 milhões. Além disso, os atrasos salariais, o pulso fraco do presidente, os escândalos que rodeiam o vice-presidente, e a falta de um diretor que cumpra seu papel serve pra mostrar algo claro: o Corinthians está abandonado pelos seus comandantes!
Mas isso não é de hoje, fomos campeões três vezes com este cenário. O que mudou?
O balanço
Diniz chegou em abril, depois de nove jogos sem vitória do time de Dorival. No começo, funcionou: 16 jogos em dois meses, com 9 vitórias, 4 empates e 3 derrotas, e 79,2% de aproveitamento na Arena. Saiu em alta para a pausa da copa do mundo.
Depois veio a queda, com eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores. O fim foi sete derrotas seguidas no Brasileirão.
O que fica
Quem vier precisa de uma coisa simples: metodologia que extraia dos jogadores seu melhor futebol, e o time titular tem bola pra isso. Sem isso, o próximo técnico vai repetir o filme de Ramon Diaz, Dorival Júnior e Fernando Diniz.




