São as primeiras horas pós derrota. De uma já quinta-feira. Das dezenas de quintas-feiras que Deus permitir, e que se seguirão após essa quarta-feira de Libertadores. Da eliminação mais dolorosa que vi nesses quase 15 anos de Corinthians, e que talvez tenha visto nos 15 que virão.
Até o dia de ontem, sempre pairava pela minha cabeça como foi, para quem ama esse clube como eu, e até mais do que eu, sentir a dor de ver o melhor jogador da nossa história, quiçá o maior ídolo do clube, desperdiçar o pênalti decisivo de uma semifinal de Copa Libertadores, contra o maior rival e atual campeão.
Era sempre curioso pensar como se pode ter, simultaneamente, sentimentos tão ambíguos em relação à mesma pessoa. E hoje eu descobri.
Memphis
Memphis Depay é o maior ídolo que tenho nesses anos de Corinthians. Chegou a um time desacreditado, com oportunidades lá fora, e se mostrou coerente, capacitado, confiante, habilidoso, com valores perfeitamente alinhados ao escudo que nos representa também fora das quatro linhas. E também com PODER DE DECISÃO.
E isso se perdeu nesta quarta-feira, na Neo Química Arena.
Protagonizou hoje um dos dias mais tristes da nossa história, sendo responsável direto. E a verdade é que, se você entende um pouco da nossa história, já esperava isso, como eu também esperava. E estive ajoelhado diante da TV até o último segundo, para me certificar de que o pessimismo não iria se concretizar.
Porque, na verdade, na nossa história, nunca se consegue nada do jeito mais fácil.
Nos resta cobrar
O ano de 2026 é uma tragédia anunciada pelos bastidores do clube e, dessa vez, não teve Garro, Yuri e principalmente Memphis capazes de tapar o sol com a peneira.
Nos resta cobrar das principais torcidas do time uma mobilização a favor da Intervenção Judicial, SAFIEL, Democracia Corinthiana ou qualquer coisa que nos livre dos (des)honrados homens que vivem no Parque São Jorge. O clube, sobrecarregado de energias negativas em seu próprio templo, não pôde fazer nada por nós hoje.
Espero e confio que voltaremos mais fortes, e que Memphis estará lá também. A história do Marcelinho não acabou naquele pênalti perdido em 2000. E, indo mais além, a de Messi também não acabou nas cobranças de Copa América em 2015 e 16. A de Memphis também não se fecha aqui.
Somos nós por nós mesmos
Para você, amigo corinthiano, não se ofenda ou caia em provocações dos mesmos que vivem pelas nossas derrotas. São os mesmos quando acertamos ou erramos. E, no final, somos nós por nós mesmos.
E já dizia o ótimo texto de Antônio Fagundes:
O torcedor corinthiano não cansa, sempre rema, a favor ou contra a corrente, jamais abandona o barco. É nisso que ele é melhor, é nisso que ele é valente.
Vai Corinthians.






