Vou começar pelo elogio, porque ele é honesto: o Santos joga melhor hoje do que jogava seis meses atrás. Quem acompanha rodada a rodada percebe. O problema é que jogar melhor e pontuar melhor ainda são coisas diferentes.

O padrão dos 60 minutos

Virou marca registrada. O time entra ligado, domina o meio-campo, cria três ou quatro chances claras — e some do jogo por volta dos 25 do segundo tempo.

Isso não é falta de vontade. É uma combinação de duas coisas bem concretas:

  1. Elenco curto nas posições decisivas. Quando o titular cansa, a substituição baixa o nível em vez de manter.
  2. Ausência de um jogador de controle. Falta alguém que segure a bola quando o jogo está atropelado e diga "calma, respira".

A conta que não fecha

O time cria bastante e finaliza mal. Não é azar acumulado por meses — é escolha de finalizador. Chute de fora da área com dois companheiros livres na área virou hábito.

Reconstrução não é só trocar nome. É montar um time em que a segunda linha entra e o padrão não cai.

Onde eu mexeria agora

  • Um meia de ligação, mesmo que emprestado, para a reta final.
  • Sequência para o goleiro, sem revezamento a cada derrota. Goleiro precisa de confiança, não de rodízio.
  • Paciência com o técnico, desde que o padrão de jogo continue reconhecível.

A torcida da Vila já viu esse filme antes: troca-se o técnico, muda-se tudo, recomeça do zero em março. Se a reconstrução for interrompida agora, o ano que vem começa exatamente igual a este.

E aí, sinceramente, não vale a pena.